Friday, August 19, 2005

A paixão dos 3 dias

O dia de hoje não devia ser cinzento no meu coração. Mas ao chegar ao trabalho recebi a noticia que a cachorrinha que todos os cuidados e mimos recebeu para sobreviver, ontem à noite partiu...Choro é verdade, a morte não deixa de ser menos dolorosa por ser um animal. Mas dentro de mim guardo a memória de um ser que mesmo frágil e débil se mantinha vivo, e conseguia ainda revelar um brilho nos seus olhos. Sinto que para a morte daqueles que nos tocam ter algum significado temos que nos agarrar à vida com todas as nossas energias.

Hoje é um dia cinzento, um dia de meditação, mais um dia das nossas vidas.
Hoje não sei se vou conseguir sorrir...Hoje nem sei o que é rir...
Hoje precisava de um abraço, talvez também de uma carícia...
Hoje sinto a tua falta...
Pensar... Hoje não... Sinto apenas...

Thursday, August 18, 2005

"Uaranco"

O tempo corre e nós nem damos por ele... Esta jóia que em tempos era um pretexto para namorar e sonhar, agora é um ser bem real. Ainda pequenina com 3 anos, corre à volta da mesa da sala de jantar à procura de como puxar uma das cadeiras para que possa olhar para a rua. Assim que consegue engenhosamente fazer uma das cadeiras deslizar sobre o tapete que foi roubar à maquina de lavar, lança os seus olhos pela janela e fixa-se no primo, já com 7 aninhos. Acelerado e ansioso procura entrar no prédio para experimentar o jogo novo, que a mãe quase obrigada lhe comprou, de forma a ele puder desbundar do HDTV-LCD do tio com 120 centímetros de diagonal.
A pequenina, já fora da cadeira e zarpando até ao escritório, puxa agora as saias da mãe, que felizmente hoje teve folga por ter feito no dia anterior um banco de 24 horas, para que vá abrir a porta ao primo e à tia. A mãe sorrindo e fechando os olhos revelando uma expressão meiga, poisa-lhe a mão nos cabelos encaracolados e gentilmente passa os dedos por uns dos tótos como que dizendo "calma melguinha...". Toda derretida a bébé acalma, levantando o pescoço e fixando os olhos de caramelo da mãe diz num português completamente enrolado:

" - Mama, gosto muito dete vetido uaranja...mas o branco é nito também...."

Tuesday, August 16, 2005

Dança do ventre

Ela move-se num espaço seu, desvenda movimentos suaves que fazem a luz vibrar, respira intensamente como se cada fôlego fosse o último. Em cada som ela faz-se feliz, por cada batida ela segue o seu sentimento. A música expõe-se em todo o seu corpo, como se toda ela e ela mesma fizessem amor. É um acto puro e sem intenções, uma acção que vale e não procura nada...

Quem olha deseja estar ali com ela, quem a conhece sabe o que é estar ali com ela...O desejo torna-se insuportável. Todo o meu corpo procura encontrar o teu movimento, sentir o teu respirar no meu pescoço, agarrar as tuas ancas e fugir nas suas espirais. Cedo ao sonho...ele que tão me faz ansioso...mas é ela, a realidade...que em tudo me faz sentir vivo...

Eu danço também, sim, adoro dançar. Fico perdido sem medos, fecho os olhos porque sei que a música estará lá para mim...E tudo o que interessa é dançar... Chegar ao fim da noite cansado de tanto vibrar, cair na cama e sonhar...mas é o acordar que me torna intenso, porque apartir dele eu sei o que é real, e que mais uma vez levará o teu sorriso ao encontro dos meus olhos.

Monday, August 15, 2005

U-Turn Parte 2, 3, 4, 5, ...

Sinceramente, não esperava que existisse tanta gente a ler este blog, considerava este o meu cantinho do universo onde, esporádicamente, alguém passava os olhos pelos meus textos. A razão pela qual deixei de escrever continua a ser verdadeira, mas alguém muito especial para mim fez-me ver as coisas de outra forma. Porque não agora partilhar esta realidade que me é exterior e bela em oposição aos escritos anteriores, que se mostravam egocêntricos, mancos e despromovidos de qualquer vontade de viver.

Não quero ser presunçoso e pensar que estou a fazer um favor ao mundo ao escrever aqui. Não sou o Dali Lama, nem nenhum ser superior. Não quero criar dogmas, nem ditados.
Sim, este vai continuar a ser o meu cantinho, mas não um escape. Vou partilhar e revelar as partes que me fazem respirar fundo e sentir feliz...

Além disso, sabe sempre bem escrever qualquer coisinha nas horas mortas do trabalho...

Tuesday, August 02, 2005

U-turn

Depois do post de ontem, da descrição do que este espaço significava para mim, hoje, e depois do que aconteceu ao fim da tarde, perdi a necessidade de deixar o meu pensamento fluir durante breves momentos...
Nunca pensei que fosse possivel, não tão cedo de ter despertado, não, nunca pensei ser possivel...Não vou escrever sobre o sucedido porque não consigo e porque não encontro razão para o fazer, nada posso materializar que possa dar a mais pequena porção daqueles momentos...

Provavelmente nunca mais irei escrever neste blog, não quero torná-lo num diário, nunca foi essa a minha intenção - deixo a minha vida para aqueles que tão docemente me aceitam no seu unverso - e aliás, ele foi formado sem qualquer tipo objectivo. Talvez um dia volte a lê-lo, como recordação, ou para me fazer lembrar que "não há homem que seja mais diferente de outro do que de si próprio nos diversos tempos".

Monday, August 01, 2005

Virtualmente comparando

A minha frequência de post´s está a aumentar. Assumo que este espaço impessoal e distante de certa forma conforta-me, e cria o afastamento que às vezes preciso de tudo o que se passa dentro de mim agora...Encontro-me numa nova realidade e por vezes surgem tantas novas coisas que preciso de me reconher.Não procuro fugir a nada, sei que isso é impossivel e que mais cedo ou mais tarde teria que lidar comigo mesmo. Escrever aqui não me trás alegria, não cresce nenhum amor dentro de mim e não desperta qualquer emoção em mim. Talvez seja mesmo por isso que alguns minutos por dia me dedico a este espaço. Enquanto escrevo a minha mente fica cheia de pensamentos vazios, ou vice-versa, dependendo do ponto de vista...

Voltando à minha pessoa, lembro-me de à 6 anos atrás ter prometido a mim mesmo nunca voltar a passar por aquela dor, aquela angústia cortante que me fazia por vezes perder os sentidos. De facto, aquela dor nunca voltou, o que sinto agora não tem nada de comparável com aqueles momentos. Nao é uma multiplicação dessa emoção, nem uma evolução exponencial - Rosa, compreendo agora quando me dizes que não existem emoções negativas, são todas fontes do mesmo algo, e esse algo é puro e imparcial. O seu nome não sei, talvez amor, mas sinceramente não consigo dar uma palavra a algo que não alcanço totalmente - A aquela dor no passado de facto podia ter me despertado, mas não, reagi fugindo para um mundo de alcool, drogas e prazeres imediatos...

No entanto passados 72 meses cresceu dentro de mim algo. Uma emoção tão intensa que para respirar preciso de todas as minhas lágrimas. Não consigo descrever toda a energia que flui pelo meu corpo, só estando cá, só sentindo... É como disse uma nova realidade, aonde tudo percorre exterior a mim. É isto o fundamental, saber que não sou, sentir que apenas estou... É por isso que digo que não ter referências interiores, nem viver fechado e centrado em mim é novo para a minha pessoa, e por vezes a minha mente foge ainda para este passado. Mas sei agora o que posso ganhar com os meus olhos bem abertos e livremente perco o receio...

Medo não posso ter, não quero que a minha alma volte a colapsar...

Sunday, July 31, 2005

PostSecret

Visitem o Blog "PostSecret" e vão verdadeiramente sentir o que é...

"You are invited to contribute your secrets to PostSecret. Each secret can be a regret, hope, experience, unseen kidness, belief, fear, betrayal, desire, feeling, confession or childhood humiliation. Reveal anything - as long as it is true and you have never shared it with anyone before."

PostSecret


Fisiologia emocional

É um dos factos que nos distingue dos outros seres, a mutabilidade do nosso sistema consoante o nosso estado de espirito. Presentemente não sinto qualquer vontade de comer, não é que esteja em depressão ou com o desejo de me matar. Simplesmente não consigo dar resposta ao meu apetite, de forma que, comer é tudo o que não me apetece fazer. O mais incrivel é que não me sinto com falta de energia, o que faz me ponderar que talvez damos valor a mais à nossa alimentação. Se calhar enquanto tiver reservas de gordura no meu corpo vou continuar a ter a mesma energia de sempre, sem ter necessidade de pôr um único alimento à boca.

Ou então é algo de mais profundo, porque não? O meu corpo neste momento sente-se concretizado no momento e portanto não dá uma resposta fisiológica à falta de energia. Quem sabe? Talvez até esteja a produzir uma reacção endotérmica que faça com que eu absorva toda a vitalidade que me rodeia. Ou talvez não...talvez apenas estou aqui e agora, e não consigo compreender a necessidade humana de dizer que: "faço isto porque acredito no futuro, ele naturalmente me trará algo de bom". Então nem é uma necessidade, mas sim uma imposição da nossa aprendizagem.

Conservo-me no meu jejum, e isto é o mais importante. Não se trata de um sacrificio, nem uma penitência pelos pecados do meu passado. Talvez um dia o meu corpo se encontre de novo neste universo. Agora, apenas me movo enquanto espirito, escavando o meu interior, extraindo todo o sumo do que reside dentro de mim. Permaneço imóvel e respiro fundo...O amanhã, esse é como a eternidade, apenas posso pensar nele amanhã...

Thursday, July 28, 2005

Krishnamurti

No passado, hoje seria um daqueles dias que sentiria que a vida se recusa a sorrir para mim...Acordei da forma mais violenta para o meu coração, o sol recusa-se a aperecer e a chuva tomou o seu lugar...

Mas não, hoje é daqueles dias que me sinto mais vivo, não porque o futuro se compôe próspero e cheio de alegrias, ou porque ontem tive o jantar mais romântico da minha vida. Estou vivo, porque sou pleno com a minha solitude.
Quem disse que para viver a vida ao máximo temos que morrer uma vez enganou-se. Para
vivermos, temos que morrer sim, mas uma vez só não chega. Para estarmos presentes aqui neste universo, temos que perder referência de tudo os que nos rodeia, da pessoa que amamos, dos nossos filhos, de todas a falsas seguraças que o nosso pensamento gera para que nos sintamos adaptados a uma sociedade que nos é exterior.
É perigoso racionalizar o nosso presente no futuro, o futuro é algo que não existe, não é, não foi e constantemente deixa de ser. Como alguém muito inteligente disse:

"O pensamento é o resultado do ontem que passa pelo hoje em direcção ao amanhã.(..)Afinal de contas, a maioria de nós é terrivelmente solitária. Você pode ter uma ocupação interessante, pode ter uma familia e muito dinheiro, pode ter o amplo conhecimento de uma mente cultivada; mas se você colocar isto de lado quando estiver só consigo mesmo, conhecerá esta extraordinária sensação de solidão.(...)E dessa negação , desse vazio total, surge a criação."

Se nos chamamos de seres inteligentes, então porque é que ainda deixamos que todas as preocupações do futuro nos controlem? O nosso pensamento é um desperdicio se for imperativo porque não está moldado à nossa existência...Na mente e no inconsciente, aí reside o verdadeiro ser...

Hoje o sol não deu um ar da sua graça e o céu chorou o seu fado....
Hoje tudo mudou e volto para a minha casa apenas por 1 dia com uma mochila cheia de comida e roupa suja...
Hoje sei que tudo o resto não importa...
Hoje sinto como é sublime a fluidez com que as gotas da chuva se unem às massas terrestres.
Hoje vejo que esse movimento que por si não significa nada, mas que me faz amar toda a existência...

Tuesday, July 26, 2005

Amanhã

À uns tempos atrás viva o dia inteiro à espera daqueles instantes que me fizessem sentir vivo, tinha os meus escapes: a minha namorada, o desporto, por vezes outras coisas simples, como o calor do sol a bater-me na cara. Mas não passavam disso, de instantes, era como se nas 24 horas do meu dia, eu apenas estava acordado 20 segundos. No momento em que fazia um drop, quando recebia um sorrido seguido de um beijo e pouco mais...
De facto, estes instantes possuiam uma força incrivel, fugida de todos os preconceitos e medos, e deixava-me perder, esqueçendo o tempo. As palavras chaves nesta altura da minha existência eram essas exactamente, fugir, perder, esquecer. O que sentia era verdadeiro, não posso em causa isso, mas exterior a isso, todo o contexto que me levava a sentir assim era falso, egoísta e profundamente amargurado.

Compreendo agora que não preciso de ter escapes, basta-me respirar fundo e fechar os olhos, escutar e sentir tudo o que me rodeia e imediatamente volto a encontrar o meu pequeno lugar neste universo...Se por um lado, fico triste por perceber que posso ter perdido muita coisa importante na minha vida por ter acordado apenas agora, sinto que sou, apartir de agora, uma pessoa capaz de amar e ser feliz como nunca.
Não me elevei a um nível de consciência superior aos outros seres, não me tornei energia pura, nem sequer deixei de senti a dor. Não sou um humano especial, não sou alguém nem niguém. Tentar justificar os nossos actos em razões de orgulho não é solução...Apenas estou vivo e respiro.

Amanhã quando me deitar sei que o sol vai nascer no meu dia depois de amanhã...outra vez...

Tuesday, July 19, 2005

Ser

Agora começo a descobrir que procurar razões para viver é inútil...Não vivemos presos às nossas razões, existimos porque encontramos exterior a nós algo que faz com que o nosso corpo nos obrigue a respirar, algo que sempre que inspiramos faz-nos querer voltar a abrir os olhos. Posso falar da nossa consciência, posso falar da natureza que nos rodeia que nos faz ter uma consciência, evocar o sol que faz com que a natureza exista em toda a sua plenitude, olhar o universo que organiza toda a sua infinidade para que o sol nos possa fazer existir...Tudo tem um sentido dentro de si e não existe sem se transformar quando se faz existir...

Citando a tua frase favorita:

"Nada se perde, tudo se transforma."

Monday, July 18, 2005

In "Broken Wings"

"How ignorant are those who imagine that love is born from long association and unbroken companionship. True love is the daughter of a spiritual understanding, and if that understanding is not achieved in a single moment, it will never be attained – not in a year, not in a whole century."

Kahlil Gibran

Saturday, July 16, 2005

O próximo passo

Tá decidido, vou meter o meu corpo numa câmara de criogenia e peço para me acordarem apenas quando o mundo tiver a acabar para sentir como é que é viver a vida num só momento...sem hipóteses de sentir o instante seguinte.

Eu já sabia que mais cedo ou mais tarde o meu espaço 2-6 ia acabar e que tudo ia voltar ao mesmo...

Obrigado Carlos, por estares ontem comigo no carro...não estava com sono, nem ia adormecer, ter-te dentro do meu carro foi o único motivo para eu não me armar em Ayrton Senna e oferecer-me a um muro de betão qualquer...

E esta...hei?

Friday, July 15, 2005

Finding Number 6

Words of Hatred dwell in my heart
With no beat I scream them out
Afraid of myself rumblin' in the dark
With no love, no life, there's no doubt

If I die tonight...
I won't be afraid of the light...

Tuesday, July 12, 2005

...Antes fosse o dia depois de amanhã...

Um dia hei de sair de casa e sentir que entrei para o mundo...um dia hei de respirar fundo e sentir que estou em casa...um dia hei andar descalço e sentir o coração quente...
Todos os dias sinto que talvez que seja esse dia, mas todos os dias sinto a desilusão e a esperança de aguardar pelo dia seguinte. Neste momento respiro fundo de desespero, apenas sabendo que felizmente o dia está quase a chegar ao fim...será amanhã?


Aguardo...mas já sei exactamente o que vou sentir...

Sunday, July 10, 2005

...Revelações...

Sem qualquer expectativa do dia que inevitavelmente há de surgir sinto-me mais que perdido, talvez esquecido. Não falo daqueles que me rodeiam, da minha família, dos meus amigos, não...Esquecido por mim mesmo (se qualquer tipo de narcisismo), deixado à deriva por todas as coisas que em certos momentos da minha vida achei que eram imperativas. Agora neste lugar que considero o meu canto, aonde sei que são poucos aqueles que lêem este blog, e que quem o lê conhece-me melhor que a minha própria progenitora (no meu caso, a palavra mãe não é adequada), quero revelar alguns constragimentos que sinto à bastante tempo.

Primeiro, se provavelmente fosse uma pessoa com a coragem suficiente, agora não passada de uma memória no coração daqueles que sabem que sou mais que uma existência...Sim, quase todos os dias penso em morrer, e existem dias que quando dou por mim tou a fazer o balanço entre os prós e os contras de me suicidar...

Segundo, e como consequência do gravamento da primeira condição, à meses que ando em companhamento psicológico que apesar de ser uma das pessoas mais inteligentes que alguma vez conheci, não consegue fazer passar a totalidade da sua mensagem por uma simples razão. Desde do primeiro encontro que tive com o Prof. Edgar consigo descodificar todo o jogo que ele tenta desencadear no meu psicológico, de forma que todo o seu discurso se torna extremamente artificial na minha cabeça...

Terceiro, e pegando no fim da segunda "revelação", recentemente fiz um teste de QI, e fiquei desagradávelmente surpreendido com o resultado. Não vou dizer o valor numérico do teste, porque não quero dar a entender que sou mais que os outros. Apenas quero dizer que de tudo o que se passa dentro de mim, este teste apenas foi amargurar todo o meu espirito, não pelo que ele representa, mas sim pelo fardo que ele gera...

Estou numa fase complicada da minha vida, e cada vez sinto mais que se não consigo encontrar uma charneira para dar a volta á minha vida, poucos são os dias que me restam para escrever neste blog e no diário das vossas vidas...

Wednesday, June 29, 2005

Aberto das 2 ás 6...

Eu compreendo porque é que espero todos os dias pelas horas de lá estar...É dos poucos lugares aonde posso existir, sem alguma vez ter sido. É como se me pudesse reinventar, ou pelo menos ser sincero sem ter que pensar nas merdas que já fiz, nas mentiras que já contei ou nas pessoas que noutros tempos magoei.

Eu sei, eu sei que o fim está próximo, isso porque o lugar está a penetrar na minha esfera, isso porque mais cedo ou mais tarde vou errar naquela "sliding door" e sem qualquer tipo de hesitação temporal a minha vida retomará o seu percurso.

O mal não está no lugar, mas em tudo em que a minha vida toca, o mal está em mim e propaga-se incontrolavelmente por todos aqueles que pensam que eu existo. Não me considero um parasita, mas não entendo o que sou, não consigo já corresponder a nada...nem mesmo à morte. De tudo em mim, só quero que o tempo deixe de pertencer ao passado...

Wednesday, June 08, 2005

A Discussão que não pode ter fundamentos...

Bem, quando mais velho fico (não sendo um sinal de mais inteligência), menos consigo encontrar referência para sustentar os nossos gostos, vontades e liberdades. Cada vez mais sinto que nada é eu enquanto um resultado puro de uma resposta a emocional a uma situação da realidade. Eu sei que gosto de certas cores porque assim aprendi, assim se tornaram hábito ou porque assim, num certo instante da minha vida, fez com que eu optasse por preferir certos elementos em detrimento de outros.
Daí que angustiado começo a entender que nada em nós é porque somos livres...a única liberdade que possuímos, se possuímos, é da sentir a dor fisica....

Saturday, June 04, 2005

Se a vida fosse apenas tridimensional...

Temos razões para pensar que vivemos, mas vivemos ser encontrarmos uma única razão para a vida. Falamos de amor, felicidade, honestidade, mas nada nos faz sentir agarrados ao mundo. Vivemos sim, nas nossas realidades, cidades, vilas, aldeias ou casas de campo (ou á beira mar), sem qualquer percepção do que nos faz respirar ou sentir.

Ok não posso falar em nós, porque não conheço um "nós", portanto corrijo, troco os pluriais pela primeira pessoa...

Apesar de diáriamente me sentir isolado e sozinho, vivo uma vida plena de amizades, amores e alegrias. Não morro á fome, não levo porrada, nem se quer tenho que acordar antes do nascer do sol para ir trabalhar (quando tenho que trabalhar). Mas as minhas angústias não residem na minha vida, mas sim no mundo que é exterior. Sofro porque não consigo entender como os outros se fazem felizes, ou como uma mãe se agarra ao filho sem perceber o tão egoísta que é...

Não tenho conhecimentos teóricos para falar o que falo...eu sei, sou um triste. Mas mesmo sem sentir pena de mim mesmo vivo na esperança que um dia, mas apenas um dia, irei chorar porque me sinto feliz... e aí, os portões da morte ir-se-ão abrir sem quaisquer tipo de receios para a minha pessoa.

Tuesday, April 05, 2005

As dimensões da minha inexistência

Oscilando entre as palavras de Eckhart Tolle e Blaise Pascal procuro preencher a minha alma com razões para existir. Sem racionalismos deixo-me à mercê do agora e busco o Ser dentro de mim, no agora e apenas no momento...claro está, é uma saga frustrante, e no meu interior encontro um vazio. Aqui racionalizo o meu espírito e desenvolvo-me a partir de um passado sem preconceitos, só para descobrir que tudo o que alcanço já existe e é me exterior.

Continuo a morar num vácuo, preso num presente que não me pertence, angustiado com o sangue que me corre nas artérias...